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terça-feira, 29 de maio de 2012

Por um mundo mais Rosa


Entrevista com a bióloga e apresentadora de TV, Rosa Maria Tavares, no dia 04 de maio de 2012
                                                                                                                                                              Por Cinthia Viana

Rosa acha importante em uma profissão, além do dinheiro, algo que dê prazer e abra caminhos, acredita que muitos dos benefícios à vida profissional são indiretos

A primeira vez que Mônica Martinez disse à turma sobre uma entrevista que faríamos com alguém que fizesse a diferença no mundo, só consegui pensar em uma pessoa: Rosa Maria.
Rosa é daquelas pessoas que te contagiam com a animação só de estar ao lado. Professora, apresentadora da TV Educativa, comentarista da Globo, presidente do conselho deliberativo da ONG Care Brasil, bióloga especialista em biotecnologia em projetos de estudo étnico-raciais com ênfase na população negra.
Filha única, seu pai faleceu antes mesmo de ela nascer. Teve duas mães: a biológica, dona Elvira, mineira e excelente cozinheira, e a madrinha, dona Ofélia que apesar de ser de outra família acolheu a jovem grávida quando veio à São Paulo preparar banquetes. Propôs-se a cuidar do bebê que estava a caminho: “Se é pra criar, eu vou criar com tudo que é possível sem a deixar uma chata.” Conta Rosa entre risos.
Estudou por toda sua vida em uma mesma escola, Caetano de Campos. Considerada na época uma instituição que apesar de pública no mesmo nível da consagrada Rio Branco. O colégio promovia feiras de ciências, o que a influenciou para seguir a Biologia, além de possuir um laboratório maravilhoso e professores interessantes. Sempre teve a certeza que seguiria a área biológica, mesmo sem saber ao certo a profissão. Até pensou em fazer Ed. Física, porém na época o curso estava em baixa, e o padrinho a convenceu de que não seria uma boa escolha. Arrepende-se de não ter insistido, mas afirma que ficou confusa e não teria feito o curso em outro momento da vida.
Foi uma aluna desinteressada no ensino fundamental, não copiava absolutamente nada em seu caderno. Um dia a professora chamou sua mãe e Rosa escutou uma frase marcante: “Sua filha nunca será ninguém na vida.” Aquilo a mudou completamente, no ano seguinte teve uma mudança drástica e se tornou super-responsável.
Rosa exerce diversas atividades, e isso já é uma característica antiga, sempre se interessou por muitas coisas diferentes. Quando pequena ia para a escola e à tarde para a ginástica, onde conheceu meninas e fez um programa de crianças que viajavam pelo Brasil.
Aos treze anos começou a se sentir incomodada por ser bem mais alta que as outras crianças. “Hoje em dia é bem legal ser alta, mas nem sempre foi assim.” A mãe e a madrinha acharam interessante que fizesse um curso de modelagem para não virar um trauma, o que rendeu vários trabalhos para a jovem.
Na infância, Rosa sofreu preconceito racial. Queria se sentir igual às outras crianças, não em termos de aparência e sim de consideração. Em alguns anos era a única menina negra da escola no período em que estudava. Para se sentir valorizada estudava muito. “Eu ficava triste, lógico. Percebia que era um absurdo, eu ter doze anos de idade e ficar me matando para fazer um trabalho para ele sair perfeito. Sendo que, ele já estava bom, mas tinha que ficar perfeito para que fosse valorizado.” Também fez parte de um time de vôlei, apesar de não gostar muito de jogar, jogava bem e se sentia valorizada fazendo parte do time.
Rosa tem um lado artístico que se manifestou por meio da dança e do teatro. Quando criança participou da peça Pinóquio, em que fazia o papel de Gepeto, pai do boneco-menino. Porém no dia, uma das professoras que estava maquiando as crianças, pegou talco e uma pomada branca para passar na pele de Rosa. Indignada a jovem disse que não passaria os produtos no rosto, tendo como resposta: “Mas como?! Você tem que passar, o Gepeto é branco.” “Aquilo acabou com a minha vida teatral.” Relata sobre o episódio.
A família a orientou muito bem, e a bióloga acredita que o equilíbrio se dava pelo fato de a mãe ser negra e a madrinha, branca. Conheceu jovens que já estavam envolvidos em entidades sociais para a questão do negro, e então foi criando uma consciência sobre o assunto.
Formada pela USP, sentiu que a graduação abriu portas, mas não pelo diploma em si e sim pelos contatos que fez. Teve aula com Nélio Bizzo, influente biólogo, o encontrou em diversas bancas de doutorado e ele a indicou para um trabalho na UFSCAR (Universidade Federal de São Carlos).
Rosa depois de um tempo de formada, foi assessora na Secretaria da Educação, trabalhou para Chopin Tavares de Lima, secretário do Estado de São Paulo. O representava em eventos, vários programas e projetos na Secretaria. Foi convidada em 1994, a participar do livro “Caetano de Campos – Fragmentos da Historia da Instituição Pública no Estado de São Paulo.” Pois o prédio da Secretaria fica no mesmo local onde era o Caetano de Campos e o convite apareceu quando souberam que Rosa tinha estudado no local. O artigo chama-se Memórias em Rosa e Negro.” Uma brincadeira por se chamar Rosa e ser negra. Um dia enquanto trabalhava, no auditório da Secretaria, acontecia a apresentação de um novo projeto, o TV Escola. Interessou-se imediatamente, pois a idéia era uma TV dirigida a professores, alunos, e a rede de ensino em geral. Foi atrás do projeto e começou a apresentar, mas precisava de um registro, o de locutora de TV. Foi estudar e os convites começaram a aparecer, em TV Educativa, o interesse da bióloga. Alguns dos trabalhos de Rosa na TV são “Descobertas do Homem” e “Sociedade Brasileira”.
Para Rosa a chave de tudo é o equilíbrio, apesar da rotina agitada sempre estabelece prioridades. Além do dinheiro em uma profissão, acredita que é importante algo que dê prazer e abra caminhos. E esse equilíbrio é dado também por contribuir para um mundo melhor.
A Care surgiu em sua vida por conta de um antigo trabalho na Solidarity Center, uma organização americana. Foi fazer um trabalho de prevenção a AIDS e doenças sexualmente transmissíveis para jovens trabalhadores de indústrias. “A ONG, na época, estava interessada em mudar o conselho, então foram em uma organização que deveria conhecer brasileiros, mas que tivessem uma relação com os Estados Unidos. Apesar de eu não saber se era meu perfil, vi que era uma organização ligada ao meio ambiente e acabei ficando no conselho deliberativo.
Administrar ser presidente de uma ONG exige muito equilíbrio e disciplina. Mas garante que ao fim do ano se volta completamente para a atividade de docência, pois nessa época acontecem os vestibulares. “É o momento dela.” Refere-se à reta final, em que os alunos estão mais ansiosos. Rosa leciona Biologia em um cursinho pré-vestibular em São Paulo, com duas unidades, uma em Santana, e outra no Tatuapé, dá aulas às terças e quartas.
Há vinte anos é casada com Luiz Paulo. Chegou a morar nos Estados Unidos depois do casamento, durante quase dois anos. “Só podia casar com alguém que fosse da área de jornalismo mesmo, da comunicação.” E não à toa, o conheceu no trabalho. Na época em que trabalhava na Secretaria da Educação surgiu um trabalho de fazer uma revista com o tema sobre treze de maio, dia de debate e denúncia contra o racismo. E era necessário um jornalista para dar idéias e também um fotógrafo, então foi chamado o Luiz Paulo, justamente por ser repórter-fotográfico. “Já o conhecia de alguns eventos, mas dessa revista que a gente começou a ter um contato maior. Ele fez um trabalho lindo para nós.”
Outra pessoa que tem um grande espaço no coração de Rosa é Mônica Teixeira. Uma jornalista que sempre a orientou muito bem, com um olhar diferente sobre o mundo.
Para o futuro, Rosa garante uma coisa: escrever cada vez mais. Tem duas publicações, lançou uma coletânea em 2001 que saiu em artigos nas revistas para Universidades e em 2010, o livro “Lendas da África Moderna” que foi selecionado pelo Programa Nacional da Biblioteca Escolar, do MEC, que só neste ano adquiriu mais de 47 mil exemplares.
Quando a questão é religião, segue um sincretismo religioso, como muitos brasileiros. A casa da mãe era cheia de imagens de santos, conta que os adora. Também admira o candomblé e o budismo. Porém a maior identificação é com o espiritismo. “Gosto de ler Allan Kardec, ele tem umas soluções muito boas.” E na prateleira da bióloga também se encontra Machado de Assis, uma paixão literária desde a infância, e Guimarães Rosa.
A felicidade e recompensa se dão a cada dia. Acredita que a diferença é cada um contribuir para um mundo melhor. “Ampliei minha visão de mundo viajando, lendo, sorrindo, chorando, ficando uma fera com o universo e em outros momentos agradecendo por ele ser tão maravilhoso.”
No cursinho em que dá aula dá um jeito de colaborar para que todos tenham as mesmas oportunidades. “Se me chamarem para dar aula, como já dei, para alunos de colégio considerados classe A e uma moça que trabalha como doméstica também pedir e ambos forem em um domingo a tarde, eu vou aos dois. Para ter um mundo mais justo. A diferença é a gente ir aprendendo com as pessoas. A gente nem tem que pensar se está fazendo ou não, à diferença. Seja o lugar que for, estar cem por cento.” 
Rosa terminou a entrevista agradecendo-me por tê-la escolhido e que um exemplo de retorno do trabalho dela é justamente eu estar ali.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Pedaços de você

"A embriaguez já começou pelo meu nome." Pensei enquanto passava os dedos na boca do copo a minha frente. "Maysa..." Talvez fosse o destino me mostrando quem eu iria ser. E talvez era disso que eu precisava. Alguém que me deixasse louca por mim mesma. Que fizesse eu ter o tal amor-próprio de novo... Estava desistindo de mim...
Me dei conta que tinha valido a pena depois de uma tequila num botequim qualquer... Olhei para o copo e para o cara meio bêbado acendendo um cigarro ao meu lado, aí pensei: "Que que eu fiz de mim?". Bebendo de manhã. Num bar de quinta, com desconhecidos... Um José Cuervo sem motivo... Foi ali que encontrei meu amor-próprio, ali naquele momento de fracasso por mim mesma.
Me dei conta que a vida continua. Que o tempo é mesmo louco... Há uma semana a gente tava ali na minha cama ouvindo Whitesnake... Mas acabou. Tudo agora é lembrança... Experiência.... Por mais que seja duro, eu tive que admitir.
Nossa história acabou e eu vou parar de colocar ponto final a cada hora que fecho uma foto sua na tela do meu computador. Estes pontos já estão virando reticências... E aí que eu me achei, na volta para casa...Com a chave de casa na mão e um novo objetivo no coração.