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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

essa é pra você, ruivinho

oi, ruivinho
lembra de mim?
eu sou a moça de palavra do outro lado da livraria (ou muito pelo contrário?)
eu sei, você já me vê como velharia
eu procurei te esquecer dentro de um Café* em frente a tv,
mas não consegui, fiquei pensando em você
e nos planos de cinema, nas salas, nos poemas, no desenho autorretrato, em todos os cachinhos, no olho azul clarinho
você olha e disfarça, eu abro o caminho, cantarola mais baixinho
cansei dessa dança atrapalhada, bolero sem sentido
eu sei, meu ruivinho, que a cor do seu cachinho é a cor do nosso amor, ferrugem derretido
tão caro meu vestido, foi todo corrompido... por você.

*autoexplicativo pra você, meu bem

Porquês

Ela estava ali, parada diante do prédio do endereço do cartão. O que ela diria para aquele homem que a abandonara antes mesmo de ela nascer? Não era fácil lidar com aquilo quando nem mesmo ela sabia o porquê de estar ali. Não. Espera, ela acabou de lembrar. Ela estava ali para conhecer seu pai e perguntar tudo que sempre teve vontade. Seria mesmo a pinta na coxa direita idêntica a dele? Seria mesmo sua tenacidade herança dele? Como ele iria reagir ao saber que ela não o odiava? Apenas queria saber os porquês daquela complicada história.