
Era meu último dia naquele apartamento minúsculo, que quase todo o metro
quadrado dele resultava no meu quarto de quando era uma criança, na cidade
pequena dos meus pais. Nada era tão bom, naquele momento, como recordar do
vento nos cabelos e daquela liberdade que eu não tinha mais ali nos dias de
concreto e asfalto.
Fuçando nas gavetas do armário da
cozinha encontrei algo tão simples e que só eu entendia as tantas lembranças
que me trazia: um pacote de chá de boldo. Quase cheio.
Lembrei-me de um porre daqueles que
tive anos antes após um término de namoro. Que foi curado com o próximo cara,
que viria a ser meu namorado. Ele me deu aquele pacote de chá de boldo para
passar a sensação horrível que a bebida me causou por vários dias.
Aquela caixinha de chá de boldo esteve ali enquanto minha vida mudou várias e várias vezes. Enquanto pessoas entravam e saíam da minha vida. Assim como sonhos e as esperanças. Todos renovados. Quase como um marco, pois desde aquele dia meu destino mudou para sempre. E aquela caixinha, sem que eu soubesse, participou de tudo aquilo.
P.S: As histórias desse blog são fictícias e quaisquer semelhanças com a realidade são meras coincidências.
Conservar algo que faça eu recordar de ti seria o mesmo que admitir que eu pudesse te esquecer.
ResponderExcluirShakespeare