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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Chá de boldo


Era meu último dia naquele apartamento minúsculo, que quase todo o metro quadrado dele resultava no meu quarto de quando era uma criança, na cidade pequena dos meus pais. Nada era tão bom, naquele momento, como recordar do vento nos cabelos e daquela liberdade que eu não tinha mais ali nos dias de concreto e asfalto.

Fuçando nas gavetas do armário da cozinha encontrei algo tão simples e que só eu entendia as tantas lembranças que me trazia: um pacote de chá de boldo. Quase cheio.

Lembrei-me de um porre daqueles que tive anos antes após um término de namoro. Que foi curado com o próximo cara, que viria a ser meu namorado. Ele me deu aquele pacote de chá de boldo para passar a sensação horrível que a bebida me causou por vários dias.

Aquela caixinha de chá de boldo esteve ali enquanto minha vida mudou várias e várias vezes. Enquanto pessoas entravam e saíam da minha vida. Assim como sonhos e as esperanças. Todos renovados. Quase como um marco, pois desde aquele dia meu destino mudou para sempre. E aquela caixinha, sem que eu soubesse, participou de tudo aquilo.

P.S: As histórias desse blog são fictícias e quaisquer semelhanças com a realidade são meras coincidências.

Um comentário:

  1. Conservar algo que faça eu recordar de ti seria o mesmo que admitir que eu pudesse te esquecer.
    Shakespeare

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