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sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Ele e as coisas dele

Às vezes me pergunto se ele ainda pensa em mim. E se pensa, o que pensa. Se sente raiva, dor ou amor. Se ele lembra que eu estava ao lado dele em tanto momentos significativos. Se ele lembra como eu ficava emocionada quando ele dizia "eu te amo". Se ele lembra de quando ele me olhava e eu já me sentia a garota mais especial do mundo. Na casa nova, na chegada, na partida, no colchão novo, nos potes de biscoitos novos, na tv nova, no videogame novo, na cortina nova, na viagem de carnaval que completou um ano... E principalmente, no porta-retrato feliz que não existe mais. Ah, mas só o dele não existe mais. O meu está inteirinho! Como se eu precisasse disso pra me lembrar dele. Do sorriso, do olhar profundo, da boca carnuda e da cor da pele.
É a primeira vez que fico inteiramente sozinha em meses. Por escolha. Por perceber o que é melhor pra tentar curar o coração. Perceber finalmente quão vazia você pode ficar se tenta se preencher da presença de pessoas que você não queria que estivessem ali. Só ele que eu queria. E quero. Mas não importa mais porque aquelas caixas não existem mais, os objetos que estavam nelas agora estão na prateleira, tudo ficou comum e agora pessoas novas me substituíram. Eu era complicada demais, reclamava demais, era chata demais, parecida demais com ele.
Eu não me sinto mais especial como me sentia com ele. Nunca me senti com mais ninguém. Mas quem disse que só por que era mágico pra mim era mágico pra ele?

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Chá de boldo


Era meu último dia naquele apartamento minúsculo, que quase todo o metro quadrado dele resultava no meu quarto de quando era uma criança, na cidade pequena dos meus pais. Nada era tão bom, naquele momento, como recordar do vento nos cabelos e daquela liberdade que eu não tinha mais ali nos dias de concreto e asfalto.

Fuçando nas gavetas do armário da cozinha encontrei algo tão simples e que só eu entendia as tantas lembranças que me trazia: um pacote de chá de boldo. Quase cheio.

Lembrei-me de um porre daqueles que tive anos antes após um término de namoro. Que foi curado com o próximo cara, que viria a ser meu namorado. Ele me deu aquele pacote de chá de boldo para passar a sensação horrível que a bebida me causou por vários dias.

Aquela caixinha de chá de boldo esteve ali enquanto minha vida mudou várias e várias vezes. Enquanto pessoas entravam e saíam da minha vida. Assim como sonhos e as esperanças. Todos renovados. Quase como um marco, pois desde aquele dia meu destino mudou para sempre. E aquela caixinha, sem que eu soubesse, participou de tudo aquilo.

P.S: As histórias desse blog são fictícias e quaisquer semelhanças com a realidade são meras coincidências.