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quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Você tem fome de que?

 Jovens vegetarianos contam como a vida pode ser mais saudável sem o consumo de carne
O vegetarianismo, dieta que exclui todos os tipos de carne, tem raízes indianas e cresce cada vez mais no Brasil e no mundo. Com a internet, as pessoas podem se engajar com maior facilidade em causas como o ativismo em prol dos animais. Como fez Robson Fernando de Souza, 25, vegetariano há cinco anos e criador dos blogs Vegetariano da Depressão e Consciência Blog. “Me tornei vegetariano em 2007, na época do rodeio de Barretos, quando percebi a minha incoerência ao defender alguns animais e ser indiferente ao sofrimento e à exploração de tantos outros.”
Além de seguir a alimentação vegetariana, Robson também é vegano, estilo de vida que consiste em não usar nenhum produto de origem animal. Ele também é vegetariano estrito, ou seja, não se alimenta de ovos, leite e derivados.



O jovem defende a causa animal de maneira criativa e inteligente. Nos blogs desconstrói falácias, que são argumentos sem fundamentos ou falhos na capacidade de provar aquilo que alegam. Robson conta que a falácia mais usada na tentativa de defender o consumo de alimentos de origem animal é a falácia do espantalho, que é o argumento em que a pessoa ignora a posição do adversário no debate e a substitui por uma versão distorcida.
“Um exemplo muito comum é quando dizem que defendemos os animais, mas que esquecemos das plantas que também são seres vivos, porém elas não têm nervos sencientes, que é o que causa a dor nos animais.” O ativismo virtual é baseado na denúncia e resposta contra investidas reacionárias de “carnistas”, como o blogueiro chama onívoros que atacam a dieta vegetariana com base em piadas ofensivas ou falácias.
Segundo o Ibope (Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística), cerca de 17,5 milhões de brasileiros são vegetarianos. Assim como Robson, as gêmeas Natália e Camila Mendes, 22, passaram a ter em seus pratos, refeições mais saudáveis. As irmãs são vegetarianas há sete anos e nunca se arrependeram da decisão. Começaram a pesquisar na internet sobre o processo de abate de bois, frangos e porcos. E logo veio a vontade de se tornarem defensoras pelos direitos deles.
“Algumas pessoas não se importam com a crueldade e acham estranho quando nos preocupamos com o bem dos animais”, desabafa Natália. Elas contam que o processo de adaptação foi tranquilo, ao contrário do que a maioria pensa ao cogitar em parar ou diminuir o consumo de carne. As carnes brancas, aves e peixes, eram as mais consumidas nas refeições diárias das gêmeas. A carne vermelha já era preferencialmente excluída na dieta.



Ao adotar uma alimentação vegetariana, é preciso estar ciente de que a quantidade de fibras e carboidratos, por exemplo, irá aumentar. Mas como em qualquer outra dieta, como a onívora, por exemplo, é preciso ter cuidados. “É bom ir ao médico para ver se não falta algum nutriente. Nunca aconteceu, mesmo porque uma cuida da outra para não termos esse problema. Se eu não quero comer alguma coisa porque não gosto, a Camila já procura outro alimento para substituir. Somos eficientes”, brincam.

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