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quarta-feira, 28 de março de 2012

Solidão na rotina arquitetônica

Acordei sem vontade nenhuma de me levantar. 5h30 da manhã e o sol estava escondido. O clima frio e o céu escuro não eram convidativos para eu me animar naquele dia. Coloquei meus fones de ouvido e me pus a ouvir e cantarolar Caetano e a galera da tropicália. Uma fórmula minha para me pôr para cima. Assim ia me encorajando a enfrentar mais um dia de trabalho. "Pelo menos hoje é sexta", pensei assim que desci para a cozinha.
Os projetos de apartamentos planejados estavam na mesinha de centro da minha sala. Sala esta, devidamente decorada com móveis desenhados por mim mesma há três anos quando me mudei para cá.
Sou uma arquiteta de trinta anos que mora sozinha e não sabe cozinhar ou lavar roupas. O que dá um certo custo a mais no fim do mês, manter empregada e lavanderia. Mas, para mim estava tudo muito cômodo. Só tinha de dar explicações fajutas a um ou outro pretendente a namorado dos porquês de manter essa comodidade. Pois para eles, eu realizava os afazeres domésticos com maestria.
Olhei para um vaso sem flor alguma no canto da parede. Quando o coloquei ali, estava crente que iria comprar flores todos os dias. Tulipas, de preferência. Para encher minha vida de cor e alegria. Mas não sou uma mulher disciplinada e paciente o suficiente para ajeitar tulipas num canto da casa diariamente.
Peguei meu café e o céu já entregava que o dia inteiro seria nublado. Teria eu mesma que colorí-lo na selva de concreto. Nas duras e cinzas paisagens da minha querida São Paulo.
Mentalmente fui listando minhas tarefas do dia. Já previa os apertos de mãos e cumprimentos sem graça no rosto de pessoas da minha empresa. O caminhar do menino que distribui folhetos de uma loja de roupas perto do Bistrot e o odor de pipoca doce no pátio central já estavam a minha vista.
Tudo parecia em seu lugar habitual. Nenhuma história surpreendente por enquanto. Fazia da rotina uma possível doce alegria. Acreditava que a solidão iria mudar um dia.

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