Às vezes me pergunto se ele ainda pensa em mim. E se pensa, o que pensa. Se sente raiva, dor ou amor. Se ele lembra que eu estava ao lado dele em tanto momentos significativos. Se ele lembra como eu ficava emocionada quando ele dizia "eu te amo". Se ele lembra de quando ele me olhava e eu já me sentia a garota mais especial do mundo. Na casa nova, na chegada, na partida, no colchão novo, nos potes de biscoitos novos, na tv nova, no videogame novo, na cortina nova, na viagem de carnaval que completou um ano... E principalmente, no porta-retrato feliz que não existe mais. Ah, mas só o dele não existe mais. O meu está inteirinho! Como se eu precisasse disso pra me lembrar dele. Do sorriso, do olhar profundo, da boca carnuda e da cor da pele.
É a primeira vez que fico inteiramente sozinha em meses. Por escolha. Por perceber o que é melhor pra tentar curar o coração. Perceber finalmente quão vazia você pode ficar se tenta se preencher da presença de pessoas que você não queria que estivessem ali. Só ele que eu queria. E quero. Mas não importa mais porque aquelas caixas não existem mais, os objetos que estavam nelas agora estão na prateleira, tudo ficou comum e agora pessoas novas me substituíram. Eu era complicada demais, reclamava demais, era chata demais, parecida demais com ele.
Eu não me sinto mais especial como me sentia com ele. Nunca me senti com mais ninguém. Mas quem disse que só por que era mágico pra mim era mágico pra ele?
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